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segunda-feira, 29 de março de 2010

Palavras da Atriz e Diretora, Lúcia Bendati, sobre "Xaxados e Perdidos"


SEGUNDA-FEIRA, 29 DE MARÇO DE 2010

"Xaxados e Perdidos", uma benção!

Foto: Cláu Paranhos
Terceiro sinal.
Senhores passageiros, apertem os cintos, seremos transportados para outra atmosfera.
Aqui e agora, bastando para isso abrir-se e tornar-se disponível para absorver os acordes que do palco irão brotar.
E entra em cena o trio - como se não bastasse a competência musical - mais simpático e harmonioso que eu me lembro ter visto nos palcos daqui.
Começam à capela num "padabadá" harmônico, E Simone Rasslan se encaminha para o teclado. Beto Chedid e Alvaro Rosacosta colocam-se junto a seus vários instrumentos também.
E está feito.
Criado um novo mundo, uma nova energia.
O cenário de Alvaro Vilaverde, de grandes fuxicos de chita, pequenas instalações com altares de santos e o complemento da ótima iluminação do Bathista Freire resultam com maestria num objetivo: aconchegar.
Não há como sentir-se acoado ou impassível, ou mesmo frio ao que nos é apresentado. O figurino de Madalena Rasslan para Simone e a composição de figurino de Alvaro e Beto contribuem, pois deixam os músicos tão à vontade quanto a gente que os recebe de coração aberto.
Não sou nenhuma especialista nesta área e graças a deus isto não é nem se pretende uma crítica. Vamos dizer que é um relato de impressão, ou talvez o melhor seria dizer de "sensação".
A sensação que saí do espetáculo musical "Xaxados e Perdidos" foi a de ter elevado a alma. Saí abençoada, renovada, completa.
Viajei pelo Brasil ontem à noite, ali sentada na platéia do Teatro do Sesc. E se eu olhasse pro lado, coisa que acho improvável, pois estava hipnotizada, talvez eu visse rodas de viola, Rios São Francisco, e montes de cenários encantadores no nosso país.
Mas acima de tudo, me senti em casa. E é esse o grande mérito desse espetáculo. A interpretação das músicas na voz de Simone em conjunto com Alvaro e Beto e os arranjos criados para esse repertório são uma benção. Arrepiam de tão lindos. A sonoridade cativa. As "surpresas" são bem-vindas. Coloquei entre aspas, pois já tinha visto o espetáculo na estréia, e sabia que havia a participação de um grupo coral na platéia. Mas tudo me parecia a primeira vez.
Percebi com satisfação, o quanto o espetáculo evoluiu, está mais fluido e acabado. E escolha do repertório é para mim, acertadíssima. E Simone diz a que veio. É doce, maternal e por vezes forte e agressiva na interpretação das músicas. Por que as conhece e domina. E sabe usar seus intrumentos.
Suspiro. Era isso. Daqui pra frente só posso me repetir.
Então me resta agradecer, mais uma vez. E desejar vida longa ao "Xaxados...". E que não se percam dos nossos palcos, pois quero viver isso mais vezes.

Muitas vezes!

domingo, 21 de março de 2010

Palavras da Diretora Luciana Éboli.
Quem sou eu para contrariar!!!kkkk
Muito obrigado, Lu!!

XAXADOS E PERDIDOS no Teatro do SESC - Imperdível!!!

21 de março de 2010

Olha só, pra quem ainda não assistiu, não dá pra deixar de ir:

Xaxados e Perdidos, com a maravilhosa Simone Rasslan,

acompanhada dos músicos Alvaro RosaCosta e Beto Chedid,

um trio e tanto, que faz do espetáculo uma série de momentos

sublimes e emocionantes. O grupo faz uma grande homenagem

à cultura brasileira, através de um trabalho de pesquisa

riquíssimo, como escrevem no programa: “Nessa terra onde

tudo dá, não faltam batuques dos mais refinados, sambas,

chorinhos, cirandas, xotes e xaxados que nascem do ‘barro

do chão’ da alma de um povo cheio de imaginação, crendices

e amores”.

A versão de Cuitelinho na delicadeza da voz da Simone é de

uma sensibilidade indescritível - e inesquecível - que depois

arrasa na sequência com Sodade Matadera, de Dorival Caymmi.

O roteiro do espetáculo reserva surpresas belíssimas e, se

Severina Noite (Lula Queiroga/Pedro Luiz) nos arrebata, é

impossível conter as lágrimas em Água e Vinho (Egberto

Gismonti/Geraldo Carneiro). E depois é só festa, que começa

com o O Canto das Fiandeiras, do folclore de Minas, e agradecer

por esse lindo espetáculo, com direção de cena do Alvaro

RosaCosta, cenário do Álvaro Villa Verde e Luz do Batista Freire.

SEGUE A DICA, COM CARINHO E UM BEIJO GRANDE

PRA ESSA EQUIPE!

Em tempo:

A temporada de Xaxados e Perdidos iniciou ontem no

Teatro do SESC - Alberto Bins, 665 - Porto Alegre

e segue até 28 de março de 2010, sempre aos sábados e

domingos às 20 horas!

Alvaro, Simone e Beto: Xaxados e Perdidos

(Sai um pouco da frente do computador e vai ao teatro, que vale a pena!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

domingo, 14 de março de 2010

Crítica de Antonio Hohlfeldt ao espetáculo "Vermelhos-História e Paixão"

Antônio Hohlfeldt | a_hohlfeldt@terra.com.br

Antônio Hohlfeldt

Notícia da edição impressa de 12/02/2010

A história do Inter, com emoção e inteligência

Nossos times de futebol, e não apenas o Grêmio e o Internacional, diga-se de passagem, são instituições tradicionais do Estado. Por isso, sua apropriação pela arte não deve surpreender, pelo contrário: deveria ser corriqueiro que tais temas inspirassem nossos criadores. Sabemos, contudo, que, mesmo na literatura, o futebol é relativo escasso, embora as poucas obras que possuímos tenham boa qualidade. No caso do teatro, que eu saiba, até aqui, não havia nada. E então, inventaram Vermelhos – História e paixão, que tem a assinatura de Artur José Pinto, na dramaturgia, e do uruguaio Néstor Monasterio, na direção, além de um elenco formado por nove intérpretes, todos de excepcional qualidade, boa parte dos quais extremamente conhecidos de nosso público.

Artur José Pinto é conhecido sobretudo pelos textos de dramaturgia infantil que assina. Aqui, ao contar a história do Inter, no entanto, ele se superou de maneira extraordinária. Há bom gosto e inteligência, sensibilidade e equilíbrio em tudo. Inexiste qualquer movimento de desrespeito a quaisquer outros times ou ufanismo rasteiro. Inteligentemente, Pinto toma a figura do fundador do Inter e narra sua história – particular e institucional – valendo-se de uma inspirada recriação de época, marcada especialmente pela música popular. Neste sentido, a escolha do repertório foi corretíssima e muito feliz, e a presença de Simone Rasslan, como intérprete, garantiu a qualidade musical do trabalho: todo o mundo canta, a maioria do elenco é capaz de tocar algum instrumento musical, e não é raro que o espectador verdadeiramente se emocione com as passagens escolhidas e vivamente apresentadas no palco.

Se esta primeira narrativa desenrola-se linearmente ao longo do tempo, temos uma segunda ação dramática, aquele jogo em que o Internacional, no distante Japão, vai enfrentar a partida de sua vida para tornar-se campeão do mundo. Daí, Artur Pinto escolheu figuras variadas que personificam os diferentes torcedores. E vai compondo algumas imagens de cada um, em especial o contínuo do jornal, ex-engraxate, que já sonhou em jogar no time, mas que agora é torcedor emocionado. Alvaro RosaCosta dá um show de interpretação e é talvez a figura mais emocionante de todo o espetáculo, pela vitalidade que empresta a esse personagem.

Artur Pinto, assim, conduz a dupla ação até a vitória final, presente, e a fundação do time, passado, que se mistura à vida privada do fundador, numa cena hilária em que pedido de casamento e convite para a presidência do clube se fundem.

Figuras queridas de nosso teatro, como José Vitor Castiel, Oscar Simch - irreconhecível como o diretor de A Federação - o impagável Rogério Beretta, o emocionado Gustavo Razzera e William Martins compõem tipos variados, entre figuras históricas e personagens de fundo que constituem a bela história do time futebolístico. No grupo feminino, a estreante Sofia Schul, como a prometida de Hoppe, dá um banho de naturalidade, comportando-se como gente grande; Simone Rasslan é sempre emotiva, e Susi Martinez personifica figuras tão diversas tanto uma “mamma” cuidadosa quanto uma secretária de redação em um jornal porto-alegrense.

A escolha das composições para a trilha sonora; a elaboração do cenário, dividindo o espaço em dois planos, um mais vinculado ao passado e outro ao presente; os cuidadosos figurinos, o que evidencia uma produção caprichada; tudo, enfim, demonstra bom gosto, respeito pelo público e, sobretudo, inteligência na definição do caminho escolhido (não há programa da peça, não tivemos como identificar seus responsáveis). Néstor Monasterio e Artur José Pinto certamente têm aqui um de seus melhores momentos, cada um em sua atividade. Não há nada a observar com restrição. Nem mesmo a duração do espetáculo, de hora e meia, que voa, tal o interesse e o envolvimento provocados na plateia. Claro, formada, essencialmente - ou exclusivamente? - de colorados que, ao final, cantam juntos os hinos do time de seu coração. A exceção era eu - gremista - o que fazer? Fui trabalhar, assistir e avaliar um espetáculo de teatro, mas confesso: também me emocionei e quase saí cantando o “Papai é o maior...”.



Atenciosamente, Alvaro RosaCosta - RGS.



Imagens Cinema
http://meadiciona.com/alvarorosacosta

domingo, 7 de março de 2010

Vermelhos - A Sofisticação do Simples - por Camilo de Lélis.

Vermelhos - A Sofisticação do Simples


Néstor Monasterio é um dos poucos encenadores que despontaram em
Porto Alegre no final da década de 70 do séc. XX, que ainda continua
produzindo. Com menos frequência, penso eu, mas, felizmente, ele aí
está. Monasterio tem na sua assinatura algo muito peculiar, singular,
único, e quem o acompanha, se atento observador, tem de reconhecer:
é artista de Teatro, e dos melhores. Assisti recentemente à sua
realização VERMELHOS: HISTÓRIA E PAIXÃO, feita em homenagem
ao centenário do Sport Club Internacional. A encenação é bordada sobre
o bastidor de um ótimo texto de Arthur Pinto, dramaturgo que atingiu
nessa escrita seu maior e mais equilibrado voo. A trilha sonora com
belos clássicos da música brasileira, muita bem utilizada, é
encantadora. O figurino de Daniel Lion encontra o equilíbrio entre a
fidelidade à época, a beleza e a eficácia cênica. O cenário de Rodrigo
Lopes é tão eficiente quanto simples. Por se tratar de uma novela
cênica (categoria que inventei para designar certa qualidade de teatro
épico, a exemplo de duas direções anteriores, nesse estilo, que Néstor
dirigiu: Rasga Coração e Bella Ciao), esta peça caiu como uma luva
para a perícia monasteriana em fazer carnavalização, flash-back e
outras polifonias. Coisa requintada. Sofisticada. Mas, a um só tempo,
extremamente simples. A história da peça VERMELHOS começa no
alvorecer do século XX com um jovem imigrante italiano apaixonado
por futebol, e narra as vicissitudes dessa personagem, sua vinda de
S. Paulo para nossa cidade como jornalista, e a criação de um time
que veio a ser uma das faces de nossa bipolar identidade esportiva
- o Internacional. Néstor soube tirar proveito da paixão dupla de seu
elenco - por teatro e pelo time do coração - e, com isso, obteve um
rendimento raro em termos de equipe. Os atores, a maioria com nome
já reconhecido em nosso meio teatral, estão afinadíssimos, a ponto de
nenhum se sobressair aos demais e, cada um por sua vez, fazer suas
jogadas individuais com virtuosismo. O público aplaude mais de uma
vez em cena aberta, seja pela piada do texto, seja pelo achado estético do
diretor. As cenas que mostram o carnaval ao estilo de Veneza, com suas
máscaras, remetem a alguns recursos oníricos do último filme de
Kubrick: "De Olhos Bem Fechados". Porém, opondo às vestes escuras da
película, Néstor utiliza no figurino tons claros e, com isso, consegue
uma maior leveza na interessante ambiguidade entre o que é mostrado e
o que é apenas sugerido. As marcações nestorianas clássicas de grupos
cruzando ao fundo, enquanto a narrativa está à frente na figura dos
protagonistas, aliadas a uma musicalidade nostálgica, são momentos que
levam o espectador a encontrar-se com o sublime.
Como não dizer os nomes dessa gente boa que nos comove em cena; José
Victor Castiel com a emoção extravasando por todos os poros; Oscar
Simch com tipos otimamente superpostos à sua figura carismática;
Rogério Beretta que colocou seus dotes cômicos a serviço da emoção
controlada, obtendo credibilidade e empatia da platéia; Álvaro Rosa
Costa numa interpretação múltipla e magnífica; Gustavo Razzera, o
protagonista, que compõe um herói romântico inesquecível e William
Martins que chama a atenção do público, positivamente, quando surge
numa figura mascarada perturbadora. Simone Rasslan, Suzi Martinez e
Sofia Schul, além de cantar e dançar, representam com grande
credibilidade as mulheres dessa e de outras épocas. Falei bastante e
não disse tudo, é preciso que vejam para crer no meu entusiasmo. O
diretor e iluminador, Néstor Monasterio, está num momento iluminado.
Parabéns, mestre. Quando voltar em cartaz não dá para perder. E isso
que nem sou colorado!

Camilo de Lélis

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

http://relatomendonca.wordpress.com/

DentroFora é jogo de espelhos

15/02/2010 -

Carlos Ramiro Fensterseifer estreou na direção brincando com espelhos. E fez boa figura, como se dizia nos tempos de antanho: DentroFora está indicada com justiça em praticamente todas as categorias do Açorianos 2009, concorrendo a melhor espetáculo, direção, ator, atriz, figurino, cenografia, iluminação e trilha sonora

Liane Venturella é Marie. Foto de Alex Ramirez

Algumas reflexões, para começar. Em 2008, Fensterseifer e Heinz Limaverde estrearam o ótimo O Gordo e o Magro Vão para o Céu, texto de Paul Auster dirigido por Nelson Diniz e Liane Venturella. Em DentroFora, o texto segue sendo de Auster mas Liane e Diniz atuam, enquanto Fensterseifer dirige. Mais espelho: O Gordo e o Magropropunha um ritmo aeróbico, tanto em movimento quanto em humor, já DentroFora é uma encenação claustrofóbica, com raros espaços para rir. Em OGordo e o Magro, os personagens se exauriam para erguer um muro – em DentroFora, a luta é por sair de dentro da caixa, do que se espera, da falta de comunicação. Em comum, os dois espetáculos exercitam a sofreguidão do verbo, explicitando a reverência confessa de Auster pelos labirintos de palavra propostos por Samuel Beckett.
No palco, existem duas cabines com porta transparente, criadas por Elcio Rossini. Uma das cabines é ocupada por Marie (Liane), outra por Jimmy (Diniz). Não há contato visual entre a dupla, mas eles conseguem conversar normalmente, o que já sugere o tom geral da peça: levamos todos a nossa vidinha, cada um no seu quadrado, sem atentar para o outro, mas nem por isso o jogo social – por pior que seja – se inviabiliza. Conversamos, convivemos, e a vida toca em frente, deixando que as convenções (e algumas raras contravenções, que ninguém é de ferro) ocupem os espaços dos nossos sonhos.
Os figurinos e a maquiagem de Marie e Jimmy, criados por Rodrigo Nahas, ajudam a enfatizar o estranhamento e o deslocamento da dupla. Liane usa peruca afetada, carrega na maquiagem no esforço de atribuir a sua fisionomia uma emoção que Marie talvez nem saiba se ainda tem. Diniz fica a meio caminho entre o presidiário e o palhaço de vaudeville, preso nas mesmas piadas, nas mesmas intenções, nos mesmos fracassos.
DentroFora acaba sendo, como seria de esperar, um espetáculo de atores. Diniz e Liane brilham, mesmo sujeitos à restrição de espaço e ao tom quase caricato que Marie e Jimmy exigem. O desafio, claro, seria bem esse: por baixo do exagero, da maquiagem pesada, da rotina que entorpece e dos gestos previsíveis que nos ajudam a viver, sob tudo isso garimpar humanidade e afirmar que os personagens que se vive na vida real escondem quem realmente somos.
Um espetáculo à parte é alternar o olhar entre Liane e Diniz quando eles não são o foco da cena. Na verdade, os dois são sempre foco de cena: mesmo quando não estão com a palavra, cada um deles segue construindo seu personagem e complementando, por reforço ou oposição, o que o outro está colocando. Ah: e a música de Álvaro Rosacosta e iluminação de Claudia De Bem acertam no tom também.

Nelson Diniz vive Jimmy. Imagem de Alex Ramirez

DentroFora atrai e conduz com eficiência e prazer o público para essa viagem de espelhos distorcidos, mas talvez Fensterseifer devesse fazer o que Marie e Jimmy tentam durante todo a peça – sair de vez da casinha, ousar. Um dos momentos de maior impacto é quando Jimmy e Marie fazem movimentos espelhados, obviamente não se enxergando. Esse recurso talvez pudesse ser mais usado – a dificuldade na realização certamente chama a atenção do público e pode sugerir que há momentos, sim, em que mesmo dentro de caixas podemos nos sintonizar uns com os outros. A cena final, por incrível que pareça, me pareceu distante do nível geral ótimo do espetáculo. Há, certamente, o problema da previsibilidade: qualquer um sabe que, de alguma forma, ou Jimmy ou Marie vão acabar saindo da cela. No caso, é Marie. Ela avança um pouco, mostra-se previsivelmente com medo da liberdade e… previsivelmente retorna à zona de (des)conforto de sua casinha. Dramaturgicamente, nenhuma novidade, mas talvez Fensterseifer pudesse “complicar”. A título de sugestão: e se Marie avançasse sobre o público. Nesse caso, a intenção não seria a de provocar a plateia, mas de fazer os espectadores verem ainda mais de perto a maquiagem caricata, dar um close no olhar de criança desamparada que Liane sustenta, derrubar a quarta parede no mutirão para derrubar a parede do isolamento. Seria como se o público se olhasse num espelho e se defrontasse com uma maquiagem borrada e olhos vazios.
O bom mesmo seria algo que Fensterseifer planeja: fazer algo como uma sessão dupla, juntando O Gordo e o Magro Vão para o Céu e DentroForana mesma noite, na mesma sala, para o mesmo público. Do diálogo entre os diferentes, sairia uma conclusão maior. O que acaba sendo a mensagem maior de DentroFora e a lição maior de qualquer vida.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Após ler o blog de Marcelo Adams sobre as inúmeras tarefas que acumulamos e as incansáveis desculpas que arranjamos, por não ter visto este ou aquele trabalho dos colegas...Resolvi relembrar quantos trabalhos ja fiz e quantas apresentações carrego nas vértebras...ja bem cansadas.

-1990- "Pinóquio".Cia Teatro Novo 240 apresentações.
-1991- "Clara Guerreira". Musical de Gisele Rodrigues +-30.
-1992- Conclusão do Curso de Artes Visuais Ufrgs.
-1992- "Dido e Aeneas" Tiago Flores +- 5.
-1993- "Putz a menina que buscava o Sol". Tetaro Novo +- 150.
-1993- "Lautrec fin de siecle" Cia Térpsí +- 40.
-1993- "Canto em Cena" Tiago Flores e Jack Pinzon.
-1993- "A casa dos átridas"Jack Pinzon DAD +-15.
-1994- "Pinóquio".Remontagem Teatro Novo +-180.
-1994- "A Pirula do Zebedeu" Teatro Novo +-10.
-1994- "Pantagruel"Gisele Cecchinni DAD +- 15.
-1994- "Missa dos Quilombos" Tiago Flores +- 10.
-1995- "Branca de Neve". Teatro Novo 170.
-1995- "Mulher" Musical de Gisele Rodrigues +-20.
-1996- "Cinderela".Teatro Novo +- 160.
-1997- "A Bela e a Fera".Teatro Novo +-150...........................Ind. Tibicuera melhor trilha Orig.
-1997- "O bandido e o cantador"Trilha-Patricia Fagundes........Ind. Açorianos melhor trilha Orig. Prêmio Fest. vale dos Sinos-Melhor Trilha Orig.
-1997- "Abajur Lilás"Roberto Oliveira +-25.
-1998- "Os saltimbancos"Teatro Novo +-120..........................Ind. Tibicuera melhor ator.
-1998- "O beijo no Asfalto"Patricia fagundes +-40...............Prêmio Açorianos melhor ator coadj.
-1998- "Boca de Ouro"Roberto Oliveira +- 40.......................Ind. Açorianos melhor ator coadj.
-1998- "O Barão nas Árvores"Roberto Oliveira +-12.
-1999- "A noite do Sr Lanari"Flávia Seligman-Curta.
-1999- "O mágico de Oz" Teatro Novo +- 130.
-1999- "Crimes da rua do arvoredo"Camilo de Lélis +- 15.
-2000- "Memória" Roberto Birindelli 8.
-2000- "O Bafafa da calça azul marinho" Júlio Conte +- 30......Ind. Açorianos melhor ator coadj.
-2000- "A família do Bebê" Cia Térpsí +- 30.
-2001- "Banda Chumbo-Grosso, Itau Novos Rumos" Luciano Zanatta +- 10.
-2001- "João gastão"CEEE-Néstor Monasterio 200.
-2001- "Toda Nudez sera castigada"Ramiro Silveira +-60.
-2001- "Nossa senhora dos navegantes"Ramiro Silveira.
-2002- Dialogo Norte - Sul e Circuito gaúcho de teatro +-30.
-2002- "O Banho"Cia. Térpsí........................................Ind. Açorianos melhor trilha Orig.
-2002- "Peter pan"Cia Teatro Novo +- 110.
-2002- "Netto perde sua alma"Tabajara Ruas - Longa.
-2003- "Pinóquio"3ª Remontagem Teatro Novo +-120.
-2003- "B...em cadeira de rodas" Ronald Radde +-20............Ind. Açorianos melhor ator.
-2003- "E la nave no va" Térpsi +- 20.
-2004- "Travessias"Lígia Rigo +- 50................................Prêmio Açorianos melhor trilha Orig.
-2004- "Cinderella"Remontagem TN +-110..........................Ind. Tibicuera melhor ator coadj.
-2004- "Meu tio matou um Cara"Jorge Furtado-Longa.
-2004- "A domicilio" Nelson Diniz-Curta.
-2005- "Projeto Luzes da cidade"CEEE-Néstor Monasterio 150.
-2005- "Macbeth-Heroi bandido"Patricia fagundes +- 45.
-2005- "Pandolfo..."Patricia fagundes +- 50......................Prêmio Tibicuera melhor trilha Orig. e Ind. Tibicuera melhor ator coadj.
-2005- "Netto e o domador..."Tabajara Ruas-Longa.
-2006- "A Bela e a fera"Remontagem TN +- 110.
-2006- "A Tempestade..."Jezebel de Carli........................Prêmio Quero quero melhor trilha Orig.
-2006- "Hamlet" Luciano Alabarse................................Ind. Açorianos melhor trilha Orig.
-2007- "O mágico de Oz"Remontagem TN +- 130.
-2007- "Santo Guerreiro"Xico de Assis +- 30.
-2007- "Projeto Luzes da cidade"CEEE-Angela Gonzaga 150.
-2008- "Histórias de bruxa boa"Teatro Novo +- 120...............Ind. Tibicuera melhor trilha Orig.
-2008- "O gordo e o magro..."In.Co.Mo.De-te +-25................Ind. Açorianos melhor trilha Orig.
-2008- "Os Saltimbancos"TN +- 85.
-2009- "Peter Pan"Remontagem TN +- 95.............................Ind. Tibicuera melhor ator coadj.
-2009- "Sonho de uma noite..."Dani Carmona e Adri Baségio +-30.
-2009- "Fogo"Hique Montanari-Curta.
-2009- "Quiropterofobia"Fernando Mantelli-Curta.
-2009- "Ditos e Malditos"Carlota Alburquerque...................... Ind. Açorianos melhor trilha Orig.
-2009- "DentroFora" In.Co.Mo.De-Te +- 28.........................Ind. Açorianos melhor trilha Orig.
-2009/10- "Vermelhos..."Néstor Monasterio 10.
-2009/10- "Xaxados e perdidos" Simone Rasslan 17.
-2010- "Chapeuzinho Vermelho" Teatro Novo....................Ind. Tibicuera melhor Trilha Orig.
-2010 - "O Cravo e a Rosa"Jessé Oliveira 12.


Por enquanto:
3.481 apresentações.
53 espetáculos.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Antônio Hohlfeldt | a_hohlfeldt@terra.com.br

Antônio Hohlfeldt

Notícia da edição impressa de 12/02/2010

A história do Inter, com emoção e inteligência

Nossos times de futebol, e não apenas o Grêmio e o Internacional, diga-se de passagem, são instituições tradicionais do Estado. Por isso, sua apropriação pela arte não deve surpreender, pelo contrário: deveria ser corriqueiro que tais temas inspirassem nossos criadores. Sabemos, contudo, que, mesmo na literatura, o futebol é relativo escasso, embora as poucas obras que possuímos tenham boa qualidade. No caso do teatro, que eu saiba, até aqui, não havia nada. E então, inventaram Vermelhos – História e paixão, que tem a assinatura de Artur José Pinto, na dramaturgia, e do uruguaio Néstor Monasterio, na direção, além de um elenco formado por nove intérpretes, todos de excepcional qualidade, boa parte dos quais extremamente conhecidos de nosso público.

Artur José Pinto é conhecido sobretudo pelos textos de dramaturgia infantil que assina. Aqui, ao contar a história do Inter, no entanto, ele se superou de maneira extraordinária. Há bom gosto e inteligência, sensibilidade e equilíbrio em tudo. Inexiste qualquer movimento de desrespeito a quaisquer outros times ou ufanismo rasteiro. Inteligentemente, Pinto toma a figura do fundador do Inter e narra sua história – particular e institucional – valendo-se de uma inspirada recriação de época, marcada especialmente pela música popular. Neste sentido, a escolha do repertório foi corretíssima e muito feliz, e a presença de Simone Rasslan, como intérprete, garantiu a qualidade musical do trabalho: todo o mundo canta, a maioria do elenco é capaz de tocar algum instrumento musical, e não é raro que o espectador verdadeiramente se emocione com as passagens escolhidas e vivamente apresentadas no palco.

Se esta primeira narrativa desenrola-se linearmente ao longo do tempo, temos uma segunda ação dramática, aquele jogo em que o Internacional, no distante Japão, vai enfrentar a partida de sua vida para tornar-se campeão do mundo. Daí, Artur Pinto escolheu figuras variadas que personificam os diferentes torcedores. E vai compondo algumas imagens de cada um, em especial o contínuo do jornal, ex-engraxate, que já sonhou em jogar no time, mas que agora é torcedor emocionado. Alvaro RosaCosta dá um show de interpretação e é talvez a figura mais emocionante de todo o espetáculo, pela vitalidade que empresta a esse personagem.

Artur Pinto, assim, conduz a dupla ação até a vitória final, presente, e a fundação do time, passado, que se mistura à vida privada do fundador, numa cena hilária em que pedido de casamento e convite para a presidência do clube se fundem.

Figuras queridas de nosso teatro, como José Vitor Castiel, Oscar Simch - irreconhecível como o diretor de A Federação - o impagável Rogério Beretta, o emocionado Gustavo Razzera e William Martins compõem tipos variados, entre figuras históricas e personagens de fundo que constituem a bela história do time futebolístico. No grupo feminino, a estreante Sofia Schul, como a prometida de Hoppe, dá um banho de naturalidade, comportando-se como gente grande; Simone Rasslan é sempre emotiva, e Susi Martinez personifica figuras tão diversas tanto uma “mamma” cuidadosa quanto uma secretária de redação em um jornal porto-alegrense.

A escolha das composições para a trilha sonora; a elaboração do cenário, dividindo o espaço em dois planos, um mais vinculado ao passado e outro ao presente; os cuidadosos figurinos, o que evidencia uma produção caprichada; tudo, enfim, demonstra bom gosto, respeito pelo público e, sobretudo, inteligência na definição do caminho escolhido (não há programa da peça, não tivemos como identificar seus responsáveis). Néstor Monasterio e Artur José Pinto certamente têm aqui um de seus melhores momentos, cada um em sua atividade. Não há nada a observar com restrição. Nem mesmo a duração do espetáculo, de hora e meia, que voa, tal o interesse e o envolvimento provocados na plateia. Claro, formada, essencialmente - ou exclusivamente? - de colorados que, ao final, cantam juntos os hinos do time de seu coração. A exceção era eu - gremista - o que fazer? Fui trabalhar, assistir e avaliar um espetáculo de teatro, mas confesso: também me emocionei e quase saí cantando o “Papai é o maior...”.